domingo, 7 de novembro de 2010

Na América, somos todos do Sul

A Europa, em especial a França, tem encontrado nos últimos anos uma dificuldade enorme em integrar sua população, segregada entre nativos e imigrantes. Mesmo com leis rígidas que buscam dificultar as imigrações, as populações de não-europeus e seus descendentes, é cada vez maior em praticamente todos os países do continente. A Espanha, por exemplo, tem criado mecanismos rigorosos para conter o fluxo de estrangeiros para dentro de suas fronteiras. O tema tem se tornado central em disputas eleitorais na região, tendo inclusive levado o líder de extrema-direita Jean-Marie Le Pen ao segundo turno das eleições francesas em 2002. Lê Pen baseou toda sua campanha num nacionalismo radical e na aversão aos imigrantes.
O fato é que, se de um lado crescem as ações governamentais visando a reduzir a entrada de imigrantes em seus países. De outro se difunde por todo o continente a proliferação de diversos grupos xenófobos, inclusive neonazistas. Estes grupos pressionam os parlamentos de seus países para que enrijeçam ainda mais as leis anti-imigração e para que considerem os imigrantes já instalados em território europeu, cidadãos de segunda classe. Para os adeptos destes grupos, os problemas vividos por seus países são reflexos do excesso de imigrantes.
Esta dificuldade em integrar suas populações torna-se ainda mais tensa quando são levados em conta os problemas sociais. Especificamente na França, é comum vermos nos noticiários as explosões sociais deflagradas nos subúrbios das grandes cidades como Paris, Marselha e Lyon. Com populações majoritariamente de imigrantes, estas regiões são as que mais sofrem com as consequências da crise econômica e do desemprego. Estima-se que cerca de um terço da população destas áreas esteja abaixo da linha da pobreza (Folha de São Paulo, 07/11/2010 – A22). Desde, pelo menos 2005, estes desequilíbrios sociais tem levado a conflitos armados entre a sociedade e o Estado. O então Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, alçou sua popularidade nesta época pela maneira como combateu os primeiros focos de manifestações. O agora presidente francês, afirmava que a origem dos conflitos encontrava-se na poligamia dos moradores destas regiões, majoritariamente africanos. Empurrando a questão para fatores culturais o Estado combateu os manifestantes com exemplar rigidez. Se não serviu para resolver os problemas sociais franceses, a conduta de Sarkozy, ampliou sua popularidade e o cacifou para assumir a presidência de seu país em 2007.
Agora, em 2010, impulsionados pela aprovação, no Parlamento Francês, de uma Reforma Previdenciária que aumenta em dois anos a idade mínima para se aposentar, os conflitos e manifestações sociais mais uma vez se acirram na França.
Especialistas na questão são contundentes em afirmar que enquanto os países europeus não substituírem suas políticas de combate truculento aos movimentos sociais por outras de cunho mais humano, as manifestações violentas não cessarão. O caminho consiste em integrar cultural e socialmente a população europeia reduzindo ao máximo a distância econômica e social que se impõe como um muro entre setores da população. A criação de canais de comunicação verdadeiramente democráticos pelos quais os marginalizados possam se expressar pacificamente é um dos primeiros passos para o fim dos distúrbios e dos conflitos.
Olhando o caso francês, é possível percebermos o quanto nosso país esta no caminho certo. Mesmo lento em sua marcha por reduzir as desigualdades regionais e sociais, o Brasil vem caminhando indiscutivelmente neste sentido. A desigualdade de renda, seja avaliada pelo Índice de Gini, seja por seu componente funcional, tem se reduzido sensivelmente nos últimos anos (Veja o post “Alguns Dados...”, neste Blog). Infelizmente, no entanto, recentemente temos ouvido o gritar estridente de vozes que tentam implantar a segregação cultural, regional e social em nosso país. Sabemos que estas vozes não estão isoladas. Basta o convívio com setores da classe média-alta paulista para percebermos que esta visão, expressa por “neofascistazinhos” em suas redes sociais, estão enraizadas em grande parte de nossa sociedade. Esta “fina flor da sociedade do sul” que tanto admira tudo que é “de fora”, talvez esteja querendo importar mais um artigo francês para nossa “pobre colônia”.
Que eles não triunfem e o Brasil prossiga e radicalize o caminho da união e da igualdade, contra a segregação e a exclusão.
Afinal, olhando do Brasil, a Europa é o Nordeste. Da Europa, nosso Nordeste é Sul. Na América, somos todos do Sul. Tudo nos une. Só nos separa a ignorância e a escuridão. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Sobre menininhos e burros" ou "Viva Dilma, a primeira mulher presidente do Brasil".

Encerradas as eleições presidenciais deste ano, sai vitorioso o projeto encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores e representado na candidatura Dilma Vana Rousseff. Sua conquista indica obviamente, como já vinha sendo demonstrado nas pesquisas de satisfação, a aprovação do governo do presidente Lula.
A vitória foi incontestável, tendo alcançado, a candidata governista, 12 milhões de votos a mais que seu adversário. Diante deste quadro, é comovente o clima de euforia em torno da eleição da primeira mulher à presidência da república de nosso país. Só por este motivo, o dia 31/10/2010 já está registrado em nossos livros de história. Mais além, no entanto, vai a forte consolidação de nossa ainda infante democracia, que irá assistir em primeiro de janeiro à segunda sucessão presidencial consecutiva envolvendo dois líderes eleitos diretamente pelo voto popular, fato quase inédito no Brasil. Lula que sucedeu FHC, agora transmite a presidência a Dilma; os três, presidentes eleitos de forma direta. Antes deles, a única vez que isto ocorreu no Brasil, foi nas sucessões entre Prudente de Morais - Campos Salles - Rodrigues Alves, no final do século XIX.
Em nome da euforia, no entanto, não se deve omitir o alto nível de despolitização que tomou conta desta campanha presidencial. Os principais temas discutidos, especialmente no segundo turno, passaram longe das necessidades mais básicas de nosso povo. Temas como aborto, supostas agressões e a fé dos candidatos não deveriam ter sido utilizados como foram. Que este mal exemplo tenha tido sua vida encerrada neste ciclo eleitoral, e que doravante as eleições tratem de temas realmente relevantes.
Em segundo lugar, outra mancha triste neste processo ficou por conta das análises altamente preconceituosas e fortemente carentes de racionalidade feitas ao calor dos resultados eleitorais. Encampadas abertamente por setores fascistas de nossa sociedade "sulista", estas análises também permeiam alguns discursos menos eufóricos, mas não menos preconceituosos de setores da imprensa, da academia e de eleitores comuns em suas redes sociais. Tais análises buscam encontrar os motivos do êxito da candidata governista numa divisão maniqueísta entre "burros" e civilizados que geograficamente se sobrepõe à divisão Norte-Nordeste versus Sul-São Paulo no Brasil. Os "burros", pobres e vendidos do Nordeste teriam eleito Dilma, contra a vontade da sociedade civilizada do Sul e de São Paulo. Minas Gerais e Rio de Janeiro, foram estrategicamente "rebaixados" à categoria de nordestinos.
Não bastasse o baixo grau de senso democrático destas análises, elas pecam também por outros fatores. Denotar como burro, um eleitor que, ao perceber sua vida melhorar relaciona tal fato a algumas ações e programas políticos de seus governantes é subjulgar o papel da política em nossa vida. Burro deveria ser chamado aquele incapaz de fazer tal relação. Aquele que ao ser contratado em um novo emprego ou ter ampliado seus rendimentos visualiza nestes fatos apenas consequências de seus méritos. Não consegue entender que se a economia estivesse mal e o desemprego em alta, por exemplo, aquela mesma empresa poderia estar falida e sua situação ser completamente diferente. Neste caso, seus méritos de nada valeriam. Burrice é não conseguir entender que o homem é um animal político e social e que indivíduos independentes e isolados só existem na abstração acadêmica. Perceber que a melhoria em sua vida tem origem na política é sinal de inteligência e não de burrice. Assim, votar na continuidade de um modelo que, julga-se, deu certo é sinal de maturidade política. Com maturidade política, não se vota em pessoas, mas sim em modelos e em projetos. Dilma é desconhecida, se expressa mal, não é carismática, nunca disputou uma eleição, mas representa um modelo que a maioria da população considera exitoso e, portanto merece ser continuado. Esta é uma análise inteligente e madura!
Por fim, e ainda no mesmo tema o mapa político construído por estes analistas apressados é falho e simplório. Dilma teve sim uma vitória consagradora nas regiões Norte e Nordeste, mas também venceu na região Sudeste, que é composta, sim, por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Dilma teve nada menos que 10 milhões de votos em São Paulo (46%), e 7,2 milhões de votos na Região Sul do país, mais de 45%. Ou seja, praticamente a metade da população destes quatro estados votaram na candidata governista. Tal fato faz com que, mesmo que fossem excluídos os votos de Norte e Nordeste, Dilma seria eleita a presidenta deste "frio" e infeliz país do Centro-Sul. Para a sorte de todos nós, Dilma é a presidenta de todos os brasileiros e, tudo indica, manterá em marcha o aprovado modo de governar do presidente Lula, que dentre outras coisas levou a ascensão social  mais de 58 milhões de pessoas, retomou os investimentos em infraestrutura, ressuscitou a indústria naval, retirou o país da crise em menos de um ano, trouxe luz e crédito para os pequenos agricultores e encaminhou a economia nacional para um crescimento de mais de 6% no ano vigente.
O país deve continuar neste caminho por, no mínimo, mais quatro anos, pois assim decidiram os 70% de "burros" do Nordeste e os 45% de "burros" do Sul. Os 55% de "sumo-inteligências sulinas" continuarão ganhando, e muito, com a decisão dos "burros", mas nada mudará sua opinião de que seus lucros derivam apenas de seus méritos individuais.
Deixe que pensem assim, pois enquanto eles vão urrando, nós seguimos dirigindo esta carroça por eles puxada.

sábado, 16 de outubro de 2010

Por que Serra tem que esconder FHC e se esconder atrás de Deus?

O

Em setembro de 2008, em uma entrevista concedida ao Programa Jô Soares na Rede Globo, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso comentava a crise financeira, na qual surfavam as economias mundiais. Para o sociólogo, o governo Lula errava ao comparar a crise a uma "marolinha". Lula deveria ser responsável e reduzir os gastos de seu governo. Dentre os cortes recomendados pelo ex-presidente, um deveria acontecer no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que, sob seu ponto de vista, estava "sobre-emprestado, emprestou demais", e poderia quebrar.
FHC apenas recomendava ao governo seguir à risca o receituário do FMI que outros tempos configurou-se na cartilha de sua administração:  a primeira crise vista no horizonte, cortam-se gastos, cortam-se investimentos, reduz-se o crédito público e ... juros nas alturas.
Talvez por não ter assistido a entrevista, ou por não confiar muito nos dotes econômicos de FH, Lula não seguiu as "dicas" de seu antecessor.  O BNDES manteve a política de elevar seus desembolsos, atuando em sintonia com o Banco do Brasil para ampliar a oferta de crédito público, mesmo durante a crise.
O gráfico abaixo mostra a expansão dos desembolsos do BNDES, ano a ano. Os valores estão expressos em bilhões de reais:
O Banco não quebrou! Ao contrário, tanto o BNDES, quanto o BB tiveram altíssimos lucros em 2008 e 2009, dentre os maiores de suas histórias. Muito devido a política anti-cíclica destas empresas públicas, de atuarem na contramão dos sinais do mercado, é que a economia brasileira foi uma das primeiras a deixar a crise econômica para trás.

É por essas e outras razões que a candidatura da oposição não pode fazer um debate de ideias e projetos para o pais. Seu projeto é o do atraso, o da crise, do desemprego e da recessão. Só lhes resta apelar para Deus.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Alguns dados...

Estes dados, que descreverei a seguir, utilizados pelo economista João Sicsú, da UFRJ, em seu artigo "Números da Distribuição de Renda" publicado na Folha de São Paulo, de 13 de outubro de 2010, não tratam do aborto, nem de crenças religiosas, mas sabe-se lá, um dia, não poderão ser significantes em uma disputa eleitoral.

Os dados apresentados por Sicsú referem-se a distribuição funcional da renda, no Brasil, nos últimos 15 anos. De acordo com as Contas Nacionais, em 1995 os salários e remunerações de autônomos eram responsáveis por 64% do PIB, sendo o restante representado pelos lucros do capital. Em 2004, após nove anos de declínio, a parcela referente aos salários chegou a 58% do PIB. A partir de então, a curva teve uma inflexão chegando em 2007 a 59,4%. Os dados para 2008 e 2009 ainda não foram publicados. No entanto, o técnico do IPEA, Estevão Kopschitz, estima que este percentual tenha chegado a 60,1% e 62,3% nestes dois anos, respectivamente.

Estes números mostram claramente a recuperação dos salários frente aos lucros ocorrida no atual governo, frente as perdas que esta fatia da renda nacional sofreu no governo anterior. São dois resultados opostos, que marcam as diferenças (ainda que não tão grandes quanto deveriam ser) entre dois projetos de país.

Campanha eleitoral ainda está na Idade Média. E o câmbio...

Enquanto o mundo debate o que fazer com a forte apreciação das moedas dos chamados países emergentes, dentre eles o Brasil, aqui o debate é outro...
A política expansionista (grandes emissões de dólares e juros baixos) dos Estados Unidos tem levado a grande afluxo de dólares para as economias emergentes, em especial para o Brasil, que além de uma economia saudável, apresenta uma das maiores taxas de retorno ao capital financeiro do mundo. Esta grande entrada de dólares leva a apreciação do Real (que já é de 4,28% neste ano), o que é prejudicial ao setor exportador nacional.
O governo já tentou conter esta forte entrada de dólares, ampliando o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre aplicações em renda fixa de estrangeiros de 2 para 4%. A medida não surtiu grande efeito, pois mesmo com o imposto maior, os investimentos no Brasil ainda apresentam um dos maiores retornos reais do mundo.
O reflexo deste problema na economia consiste na queda das exportações e na elevação das importações, acarretando no aumento dos déficits comerciais, que já estão elevados. Além disso, tal quadro pode elevar nossos índices de inflação, devido ao excesso de liquidez.
Em outras palavras, algo precisará ser feito em breve para conter esta apreciação do Real.

O que pensam os dois candidatos a presidente sobre este tema?

Ainda não sabemos. E ao sabor dos ventos, para sabermos ainda há de transcorrer um bom tempo, visto que os temas pautados na campanha ainda vem lentamente avançado pela história. E, tendo partido da Idade Média, ainda levará algum tempo até que alcancem os problemas pertinentes ao século XXI.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mais uma do Mestre Cartola

Peito Vazio
(Cartola e Elton Medeiros)


Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio.
Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança
Vou seguir os conselhos
De amigos
E garanto que não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai


http://www.youtube.com/watch?v=uE95ZJ-vWpY&a=GxdCwVVULXe1sKvXggIgYV7zhNmKY38I&list=ML&feature=BF



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reproduzindo o "Manifesto dos Reitores da Universidades Federais"

Manifesto de Reitores das Universidades Federais à Nação Brasileira


Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.
Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP)


Em tempo. Diferente do que ocorre no governo do PSDB em São Paulo, durante a gestão Lula no Governo Federal, o Ministério da Educação sempre nomeia Reitor, o nome que encabeça a lista tríplice eleita nas Universidades.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Questão de argumentos...



Argumentos de quem vota em Dilma Roussef:
1. No início dos anos 70 Dilma era uma jovem de 18 anos, vivia no seio de uma família de empresários, gozando de excelentes condições materiais, quando optou por ingressar em grupos de movimento estudantil que lutavam contra a brutalidade da ditadura militar.
2. Dilma foi presa aos 19 anos, barbaramente torturada, por participar destes movimentos contrários ao regime ditatorial.
3. Dilma foi Secretária de Minas e Energia no estado do Rio Grande do Sul durante o "apagão" elétrico de 2000. Por sua efetiva atuação no setor, seu estado foi um dos únicos que não foi atingido pelo "apagão".
4. Dilma foi Ministra de Minas e Energia e Ministra da Casa Civil do Governo Lula. Dilma, representa nestas eleições a continuidade do projeto iniciado neste governo.
5. O governo que Dilma representa foi o responsável entre outras coisas pelo (a):
- Programa Luz para Todos que tirou da escuridão 10 milhões de brasileiros que moram na zona rural,
- PROUNI que colocou na Universidade quase 1 milhão de estudantes, a maioria com bolsa integral,
- REUNI, que expandiu vagas em quase todas as Universidades Federais,
- criação de 14 novas Universidades Federais (mais que qualquer outro presidente na história),
- criação de mais de 200 escolas técnica federais,
- ascensão social de 28 milhões de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza,
- valorização da Petrobrás, que há oito anos estava em vias de ser privatizada, e hoje é responsável pela maior oferta de ações da história da economia mundial,
- expansão de crédito do BNDES (outra instituição pública quase privatizada pelo governo anterior), o que viabilizou a ampliação de investimentos em milhares de empresas no país, gerando renda e empregos,
- pela geração em oito anos de mais de 14 milhões de empregos com carteira assinada,
- pela superação da crise de 2008, em menos de 1 ano, por meio de incentivos ao mercado interno, como as - desonerações fiscais de automóveis, geladeiras, fogões e móveis em geral,
- crescimento do Produto Interno Bruto, que deverá passar dos 7% este ano, enquanto paises mundo a fora enfrentam grave crise econômica,
- renascimento da indústria naval brasileira, exterminada durante a década de 90. A indústria naval hoje gera milhares de empregos em cidades como Rio de Janeiro, Rio Grande (RS) e Suape (PE).
- transformação da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República em instituições republicanas que investigam e apuram crimes de corrupção, como não ocorria em governos anteriores
6. Dilma coordenou no governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento, o primeiro programa público de investimentos federais desde a década de 70.



Argumentos de quem não vota em Dilma Roussef:
1. Ouvi dizer que ela já foi terrorista,
2. Ela tem cara de falsa,
3. Recebi um email dizendo que ela não é cristã, e que zomba de Cristo,
4. No meu orkut disseram que ela vai proibir cultos evangélicos,
5. Não gosto do PT,
6. Não vou com a cara dela,
7. Dizem que ela é sapatona,
8. A Veja e o Estadão dizem que governo Lula é só corrupção,
9. Ela não fala bem nos debates, gagueja e se enrola.


E depois dizem que os eleitores do PT é que são ignorantes...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mais uma vez....

Hoje, 30 de setembro de 2010, o presidente do Equador, Rafael Correa, foi fortemente agredido e encontra-se, no momento hospitalizado.
Enquanto discursava para policiais militares que exigiam a revogação de uma lei aprovada ontem pela Assembléia Nacional do país, o presidente foi atacado com bombas de gás lacrimogênio e teve que ser removido do local. Os policiais que protestavam, ainda tomaram de assalto a Assembléia, o aeroporto e as principais vias públicas da capital, Quito. A enorme violência dos métodos do protesto e, principalmente, a agressão ao presidente, levam a crer que por trás do movimento rebelde escondem-se os já largamente conhecidos movimentos golpistas de nossa América.
No momento, o país encontra-se em estado de excessão e o presidente é mantido internado no Hospital Militar, cercado por policiais rebeldes. O presidente, no entanto, se mantém no governo do país, e grande parte da população, marcha até o local onde o mesmo se encontra, para defender sua integridade. A situação no país ainda é de incertezas, mesmo com as manifestações de lideranças locais e regionais em favor do presidente.
É hora de vigília em prol da democracia.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tem gente que morre sem querer morrer

Em época de eleições um eterno figurante assume, mesmo que demagogicamente, o papel de protagonista em nosso circense modelinho político e econômico de viver. Alguns o chamam de povo, outros de massa, pobres, classe baixa, excluídos... São diversas as definições para esta fatia da sociedade que, para arrepio de muitos, ainda define qualquer eleição.
Diversas canções já foram escritas sobre este "povo". Dentre todas, duas que lembro agora, são particularmente preciosas. Uma delas, um samba de José Flores de Jesus, ou simplesmente Zé Keti, foi composta em 1965, com o título "Acender as velas". A outra, um xote de 1952, composto por Luiz Gonzaga e Guio de Moraes recebeu o nome de "Pau-de-arara". Estas duas músicas são dois retratos primorosos de nosso país, uma tratando da vida em uma favela carioca e a outra da viagem de um retirante nordestino. Estes dois perfis tão discriminados, preconceituosamente relacionados à bandidagem e à vadiagem, são na verdade, em sua maioria, "fortes", lutadores, que vivem, dia após dia, peleando para sobreviver.
Conhecê-los um pouco mais de perto ajuda a entender melhor o nosso país.

Aí vão as letras das duas canções e os links para interpretações no youtube.

Acender as velas
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
E não tem beleza pra se ver
E a gente morre sem querer morrer

http://www.youtube.com/watch?v=VzCLgQXYdkw

Pau de arara
Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xóte, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eleições legislativas na Venezuela

Domingo, dia 26 de setembro, realizaram-se em nossa vizinha, Venezuela, eleições para eleger os 165 membros do Parlamento daquele país. Nas últimas eleições legislativas, realizadas em 2005, a oposição ao governo Hugo Chávez se recusou a participar do pleito, o que proporcionou ao partido governista, o PSUV, obter 100% das vagas em disputa. Agora, a oposição resolveu alterar sua estratégia de enfrentamento ao governo e disputou, unida, as eleições de ontem. Com os resultados já divulgados, sabemos que a coligação governista manteve a maioria dos parlamentares, 98, frente aos 65 da oposição e dois independentes. No entanto, grande parte da imprensa internacional, inclusive a brasileira, apresenta estes números como uma derrota de Chávez, que esperava manter ao menos dois terços dos deputados (110), número necessário para aprovar emendas à Constituição. Ainda, o fato de a oposição afirmar ter recebido 52% dos votos em todo o país, levou setores desta imprensa a verem nestas eleições uma prévia da disputa presidencial de 2012, com indícios de uma vitória da oposição. Apesar deste número (52%) ainda não ser oficial, é inegável a expressiva votação dos canditados contrários ao governo. Não se deve, no entanto, desprezar a força política de Chávez, que em meio a uma importante crise econômica e depois de 12 anos de governo, ainda mantém o apoio firme de, ao menos, 50% dos eleitores do país.
Mais do que isso, um fator imprescindível a se análisar neste pleito, consite no significativo comparecimento às urnas. No país, onde o voto não é obrigatório, a abstenção de apenas 33,55% dos eleitores, foi uma das menores já registradas em uma eleição legislativa. Tal fato deixa claro o alto grau de participação política dos cidadãos venezuelanos, e a importância que estes conferem a esse evento democrático. Este dado confronta-se diretamente com as afirmações de setores preconceituosos, desinformados ou diretamente interessados da imprensa internacional que qualifica o regime político no país como não-democrático.
Não apenas o altíssimo comparecimento às urnas, mas principalmente a considerável votação da oposição, são, para qualquer análise sensata, prova contundente da efervescência democrática que vive aquele país.
O que muitos não conseguem, ou não querem perceber, é que democracia não pressupõe estabilidade e muito menos calmaria. Democracia pode, e muitas vezes deve, coexistir com conflitos, choques e rupturas. Em tempo, aliás, os governos autoritários é que costumam ser bastante simpáticos ao silêncio, contando para tanto, com forte apoio das elites, inclusive midiáticas, por eles beneficiadas.

domingo, 26 de setembro de 2010

O porquê do título

O título "Sala de Recepção" tem como intuito fazer com que todos os participantes sintam-se em casa em nosso blog, para que nossas conversas fluam como fluiriam em uma mesa de botequim. Além disto, é uma homenagem a um dos maiores, se não o maior, sambista de nossa história: Angenor de Oliveira, o Cartola. "Sala de Recepção" é uma de suas mais belas composições, integrando seu LP "Cartola", lançado em 1976.
Vejam sua belissíma letra, e ouçam uma interpretação de Chico Buarque no youtube, abaixo.





Habitada por gente simples e tão pobre
Que só tem o sol que a todos cobre
Como podes, mangueira, cantar?
Pois então saiba que não desejamos mais nada
A noite, a lua prateada
Silenciosa, ouve as nossas canções
Tem lá no alto um cruzeiro
Onde fazemos nossas orações
E temos orgulho de ser os primeiros campeões
Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora
E as outras escolas até choram
Invejando a tua posição
Minha mangueira essa sala de recepção
Aqui se abraça inimigo
Como se fosse irmão

http://www.youtube.com/watch?v=FYYaf1bHDvM

sábado, 25 de setembro de 2010

Abre alas

Abrindo nosso desfile, cabe explicar aos recém chegados, o enredo deste modesto transmissor de pensamentos. Pretende-se neste espaço, ora inaugurado, trocar ideias sobre música, mais especialmente sobre samba, samba da antiga, como diria João Nogueira, alinhavando cada conversa com muita política, história, cultura e artes.
Tudo que não pode faltar em uma bela conversa de botequim!!!
Quem quiser entrar, pegue seu copo e pode sentar.... Sejam bem-vindos à Sala de Recepção