Hoje, 30 de setembro de 2010, o presidente do Equador, Rafael Correa, foi fortemente agredido e encontra-se, no momento hospitalizado.
Enquanto discursava para policiais militares que exigiam a revogação de uma lei aprovada ontem pela Assembléia Nacional do país, o presidente foi atacado com bombas de gás lacrimogênio e teve que ser removido do local. Os policiais que protestavam, ainda tomaram de assalto a Assembléia, o aeroporto e as principais vias públicas da capital, Quito. A enorme violência dos métodos do protesto e, principalmente, a agressão ao presidente, levam a crer que por trás do movimento rebelde escondem-se os já largamente conhecidos movimentos golpistas de nossa América.
No momento, o país encontra-se em estado de excessão e o presidente é mantido internado no Hospital Militar, cercado por policiais rebeldes. O presidente, no entanto, se mantém no governo do país, e grande parte da população, marcha até o local onde o mesmo se encontra, para defender sua integridade. A situação no país ainda é de incertezas, mesmo com as manifestações de lideranças locais e regionais em favor do presidente.
É hora de vigília em prol da democracia.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Tem gente que morre sem querer morrer
Em época de eleições um eterno figurante assume, mesmo que demagogicamente, o papel de protagonista em nosso circense modelinho político e econômico de viver. Alguns o chamam de povo, outros de massa, pobres, classe baixa, excluídos... São diversas as definições para esta fatia da sociedade que, para arrepio de muitos, ainda define qualquer eleição.
Diversas canções já foram escritas sobre este "povo". Dentre todas, duas que lembro agora, são particularmente preciosas. Uma delas, um samba de José Flores de Jesus, ou simplesmente Zé Keti, foi composta em 1965, com o título "Acender as velas". A outra, um xote de 1952, composto por Luiz Gonzaga e Guio de Moraes recebeu o nome de "Pau-de-arara". Estas duas músicas são dois retratos primorosos de nosso país, uma tratando da vida em uma favela carioca e a outra da viagem de um retirante nordestino. Estes dois perfis tão discriminados, preconceituosamente relacionados à bandidagem e à vadiagem, são na verdade, em sua maioria, "fortes", lutadores, que vivem, dia após dia, peleando para sobreviver.
Conhecê-los um pouco mais de perto ajuda a entender melhor o nosso país.
Aí vão as letras das duas canções e os links para interpretações no youtube.
Acender as velas
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
E não tem beleza pra se ver
E a gente morre sem querer morrer
http://www.youtube.com/watch?v=VzCLgQXYdkw
Pau de arara
Diversas canções já foram escritas sobre este "povo". Dentre todas, duas que lembro agora, são particularmente preciosas. Uma delas, um samba de José Flores de Jesus, ou simplesmente Zé Keti, foi composta em 1965, com o título "Acender as velas". A outra, um xote de 1952, composto por Luiz Gonzaga e Guio de Moraes recebeu o nome de "Pau-de-arara". Estas duas músicas são dois retratos primorosos de nosso país, uma tratando da vida em uma favela carioca e a outra da viagem de um retirante nordestino. Estes dois perfis tão discriminados, preconceituosamente relacionados à bandidagem e à vadiagem, são na verdade, em sua maioria, "fortes", lutadores, que vivem, dia após dia, peleando para sobreviver.
Conhecê-los um pouco mais de perto ajuda a entender melhor o nosso país.
Aí vão as letras das duas canções e os links para interpretações no youtube.
Acender as velas
Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
E não tem beleza pra se ver
E a gente morre sem querer morrer
http://www.youtube.com/watch?v=VzCLgQXYdkw
Pau de arara
Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xóte, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xóte, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Eleições legislativas na Venezuela
Domingo, dia 26 de setembro, realizaram-se em nossa vizinha, Venezuela, eleições para eleger os 165 membros do Parlamento daquele país. Nas últimas eleições legislativas, realizadas em 2005, a oposição ao governo Hugo Chávez se recusou a participar do pleito, o que proporcionou ao partido governista, o PSUV, obter 100% das vagas em disputa. Agora, a oposição resolveu alterar sua estratégia de enfrentamento ao governo e disputou, unida, as eleições de ontem. Com os resultados já divulgados, sabemos que a coligação governista manteve a maioria dos parlamentares, 98, frente aos 65 da oposição e dois independentes. No entanto, grande parte da imprensa internacional, inclusive a brasileira, apresenta estes números como uma derrota de Chávez, que esperava manter ao menos dois terços dos deputados (110), número necessário para aprovar emendas à Constituição. Ainda, o fato de a oposição afirmar ter recebido 52% dos votos em todo o país, levou setores desta imprensa a verem nestas eleições uma prévia da disputa presidencial de 2012, com indícios de uma vitória da oposição. Apesar deste número (52%) ainda não ser oficial, é inegável a expressiva votação dos canditados contrários ao governo. Não se deve, no entanto, desprezar a força política de Chávez, que em meio a uma importante crise econômica e depois de 12 anos de governo, ainda mantém o apoio firme de, ao menos, 50% dos eleitores do país.
Mais do que isso, um fator imprescindível a se análisar neste pleito, consite no significativo comparecimento às urnas. No país, onde o voto não é obrigatório, a abstenção de apenas 33,55% dos eleitores, foi uma das menores já registradas em uma eleição legislativa. Tal fato deixa claro o alto grau de participação política dos cidadãos venezuelanos, e a importância que estes conferem a esse evento democrático. Este dado confronta-se diretamente com as afirmações de setores preconceituosos, desinformados ou diretamente interessados da imprensa internacional que qualifica o regime político no país como não-democrático.
Não apenas o altíssimo comparecimento às urnas, mas principalmente a considerável votação da oposição, são, para qualquer análise sensata, prova contundente da efervescência democrática que vive aquele país.
O que muitos não conseguem, ou não querem perceber, é que democracia não pressupõe estabilidade e muito menos calmaria. Democracia pode, e muitas vezes deve, coexistir com conflitos, choques e rupturas. Em tempo, aliás, os governos autoritários é que costumam ser bastante simpáticos ao silêncio, contando para tanto, com forte apoio das elites, inclusive midiáticas, por eles beneficiadas.
Mais do que isso, um fator imprescindível a se análisar neste pleito, consite no significativo comparecimento às urnas. No país, onde o voto não é obrigatório, a abstenção de apenas 33,55% dos eleitores, foi uma das menores já registradas em uma eleição legislativa. Tal fato deixa claro o alto grau de participação política dos cidadãos venezuelanos, e a importância que estes conferem a esse evento democrático. Este dado confronta-se diretamente com as afirmações de setores preconceituosos, desinformados ou diretamente interessados da imprensa internacional que qualifica o regime político no país como não-democrático.
Não apenas o altíssimo comparecimento às urnas, mas principalmente a considerável votação da oposição, são, para qualquer análise sensata, prova contundente da efervescência democrática que vive aquele país.
O que muitos não conseguem, ou não querem perceber, é que democracia não pressupõe estabilidade e muito menos calmaria. Democracia pode, e muitas vezes deve, coexistir com conflitos, choques e rupturas. Em tempo, aliás, os governos autoritários é que costumam ser bastante simpáticos ao silêncio, contando para tanto, com forte apoio das elites, inclusive midiáticas, por eles beneficiadas.
domingo, 26 de setembro de 2010
O porquê do título
O título "Sala de Recepção" tem como intuito fazer com que todos os participantes sintam-se em casa em nosso blog, para que nossas conversas fluam como fluiriam em uma mesa de botequim. Além disto, é uma homenagem a um dos maiores, se não o maior, sambista de nossa história: Angenor de Oliveira, o Cartola. "Sala de Recepção" é uma de suas mais belas composições, integrando seu LP "Cartola", lançado em 1976.
Vejam sua belissíma letra, e ouçam uma interpretação de Chico Buarque no youtube, abaixo.
Habitada por gente simples e tão pobre
Que só tem o sol que a todos cobre
Como podes, mangueira, cantar?
Pois então saiba que não desejamos mais nada
A noite, a lua prateada
Silenciosa, ouve as nossas canções
Tem lá no alto um cruzeiro
Onde fazemos nossas orações
E temos orgulho de ser os primeiros campeões
Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora
E as outras escolas até choram
Invejando a tua posição
Minha mangueira essa sala de recepção
Aqui se abraça inimigo
Como se fosse irmão
http://www.youtube.com/watch?v=FYYaf1bHDvM
Vejam sua belissíma letra, e ouçam uma interpretação de Chico Buarque no youtube, abaixo.
Habitada por gente simples e tão pobre
Que só tem o sol que a todos cobre
Como podes, mangueira, cantar?
Pois então saiba que não desejamos mais nada
A noite, a lua prateada
Silenciosa, ouve as nossas canções
Tem lá no alto um cruzeiro
Onde fazemos nossas orações
E temos orgulho de ser os primeiros campeões
Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora
E as outras escolas até choram
Invejando a tua posição
Minha mangueira essa sala de recepção
Aqui se abraça inimigo
Como se fosse irmão
http://www.youtube.com/watch?v=FYYaf1bHDvM
sábado, 25 de setembro de 2010
Abre alas
Abrindo nosso desfile, cabe explicar aos recém chegados, o enredo deste modesto transmissor de pensamentos. Pretende-se neste espaço, ora inaugurado, trocar ideias sobre música, mais especialmente sobre samba, samba da antiga, como diria João Nogueira, alinhavando cada conversa com muita política, história, cultura e artes.
Tudo que não pode faltar em uma bela conversa de botequim!!!
Quem quiser entrar, pegue seu copo e pode sentar.... Sejam bem-vindos à Sala de Recepção
Tudo que não pode faltar em uma bela conversa de botequim!!!
Quem quiser entrar, pegue seu copo e pode sentar.... Sejam bem-vindos à Sala de Recepção
Assinar:
Postagens (Atom)


