segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eleições legislativas na Venezuela

Domingo, dia 26 de setembro, realizaram-se em nossa vizinha, Venezuela, eleições para eleger os 165 membros do Parlamento daquele país. Nas últimas eleições legislativas, realizadas em 2005, a oposição ao governo Hugo Chávez se recusou a participar do pleito, o que proporcionou ao partido governista, o PSUV, obter 100% das vagas em disputa. Agora, a oposição resolveu alterar sua estratégia de enfrentamento ao governo e disputou, unida, as eleições de ontem. Com os resultados já divulgados, sabemos que a coligação governista manteve a maioria dos parlamentares, 98, frente aos 65 da oposição e dois independentes. No entanto, grande parte da imprensa internacional, inclusive a brasileira, apresenta estes números como uma derrota de Chávez, que esperava manter ao menos dois terços dos deputados (110), número necessário para aprovar emendas à Constituição. Ainda, o fato de a oposição afirmar ter recebido 52% dos votos em todo o país, levou setores desta imprensa a verem nestas eleições uma prévia da disputa presidencial de 2012, com indícios de uma vitória da oposição. Apesar deste número (52%) ainda não ser oficial, é inegável a expressiva votação dos canditados contrários ao governo. Não se deve, no entanto, desprezar a força política de Chávez, que em meio a uma importante crise econômica e depois de 12 anos de governo, ainda mantém o apoio firme de, ao menos, 50% dos eleitores do país.
Mais do que isso, um fator imprescindível a se análisar neste pleito, consite no significativo comparecimento às urnas. No país, onde o voto não é obrigatório, a abstenção de apenas 33,55% dos eleitores, foi uma das menores já registradas em uma eleição legislativa. Tal fato deixa claro o alto grau de participação política dos cidadãos venezuelanos, e a importância que estes conferem a esse evento democrático. Este dado confronta-se diretamente com as afirmações de setores preconceituosos, desinformados ou diretamente interessados da imprensa internacional que qualifica o regime político no país como não-democrático.
Não apenas o altíssimo comparecimento às urnas, mas principalmente a considerável votação da oposição, são, para qualquer análise sensata, prova contundente da efervescência democrática que vive aquele país.
O que muitos não conseguem, ou não querem perceber, é que democracia não pressupõe estabilidade e muito menos calmaria. Democracia pode, e muitas vezes deve, coexistir com conflitos, choques e rupturas. Em tempo, aliás, os governos autoritários é que costumam ser bastante simpáticos ao silêncio, contando para tanto, com forte apoio das elites, inclusive midiáticas, por eles beneficiadas.

4 comentários:

  1. Realmente mostra ainda a força de Chávez mesmo com crise econômica e mídia nacional e internacional tomando posições contrárias. A TV oficial do governo tem uma audiência significativa?

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  2. Uma outra coisa que eu gostaria de saber, Sertão... Você me pareceu bem confiante no fato de que a baixa taxa de abstenção diz respeito somente à questão do exercício de democracia dos cidadãos venezuelanos. Quando pensamos em acabar com a obrigatoriedade do voto no Brasil, a primeira coisa que vem à cabeça é a compra de votos. Como é essa questão lá? Você tem alguma informação? Fiquei curiosa... Não que eu ache que seja isso, é que eu gosto de me cercar de argumentos... rs...

    Parabéns pelo blog! Certamente serei uma leitora!

    Beijos

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  3. Maurício,
    As Tvs públicas, são três, duas venezuelanas (a VTV e a Vive) e uma internacional ( a TeleSur que é uma Tv pública de Argentina, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, Uruguai e Venezuela) têm boa audiência. A VTV é uma Tv de caráter mais oficial, a Vive é uma emissora mais cultural, e a Telesur cobre todo o continente.

    Samira,
    Nunca li nada relevante sobre denúncias envolvendo compra de votos, nem de governistas nem de opositores. Mas na verdade o que sustenta minha "crença" na democracia é exatamente o alto comparecimento dos opositores às urnas. Se eles decidiram votar, e fizeram uma votação expressiva (50%), é uma prova de que eles acham que é possível vencer Chávez atráves das urnas, como ocorre em uma democracia. O percentual de parlamentares opositores eleitos (40%) é maior que o percentual de parlamentares opositores ao governo Lula. Isso mostra que o regime permite à oposição eleger seus representantes, o que mostra que ele é democrático.
    Não sei se me fiz entender.

    Abraços a vocês e obrigado pelos comentários!

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  4. sertão o blog está legal! Quem está escrevendo? Kkkk brincadeira! Parabéns companheiro!

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